Terras raras — a presença desses 17 elementos na cadeia de produção tecnológica foi o fio condutor que levou o assunto ao Enem em 8 de novembro de 2026, e revela uma tensão prática: o Brasil dispõe de grande potencial em jazidas, mas carece das etapas industriais que transformam minério em componentes de alto valor, com impacto direto na indústria de eletrônicos e energia.
Onde esses elementos aparecem no seu celular
Ímãs diminutos, vidros ópticos e materiais de emissão de luz fazem parte do circuito invisível que permite som, foco e display nos smartphones. Em alto‑falantes e fones, ligas com neodímio e, às vezes, praseodímio geram campos magnéticos fortes em peças compactas.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Motores de vibração, atuadores hápticos e mecanismos de estabilização também recorrem a conjuntos magnéticos com terras raras. Já o lantânio aparece em certos vidros para lentes, e elementos como európio, térbio e ítrio são usados em materiais para emissão de luz e algumas tecnologias de tela. Nem todo aparelho usa os mesmos elementos; a composição varia por fabricante e modelo.
São 17 elementos: os 15 lantanídeos da tabela periódica, além do escândio e do ítrio.
Geopolítica e indústria: quem controla o mercado e o papel do Brasil
O domínio da cadeia produtiva está além da existência de jazidas. Um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA) indica que, em 2024, a China concentrou cerca de 60% da extração destinada a ímãs, 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes sinterizados, revelando por que limitações no fornecimento afetam custos e prazos globais.
No Brasil, o Ministério de Minas e Energia estima cerca de 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, com ocorrências relevantes em Goiás, Minas Gerais e Amazonas. Mesmo assim, a produção reportada pela Agência Nacional de Mineração registrou apenas 326 toneladas de concentrado de óxidos de terras raras em 2025, com quatro áreas em lavra ativa, todas em Goiás — um sinal claro: há potencial de matéria‑prima, mas falta estrutura de refino e fabricação para subir na cadeia de valor.
A restrição no processamento significa risco para fabricantes de veículos, eletrônicos e equipamentos de energia renovável, que dependem de ímãs e ligas específicas. Alternativas incluem reciclagem de ímãs e resíduos industriais; algumas empresas de tecnologia já reportaram avanços nesse sentido, aumentando a parcela de materiais reciclados em produtos.
O que você acha? Você acredita que o Brasil vai conseguir desenvolver refinarias e fábricas para agregar valor às reservas de terras raras? Para acompanhar mais análises sobre indústria e política, acesse nossa editoria Brasil.
Perguntas Frequentes
O que são as terras raras e quantos elementos elas incluem?
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos, formado pelos 15 lantanídeos mais escândio e ítrio, que aparecem em minerais como monazita e bastnasita. Esses elementos não formam um único minério, e a dificuldade econômica está em encontrar concentrações aproveitáveis e separar quimicamente substâncias com propriedades muito semelhantes.
Por que as terras raras foram tema do Enem em 8 de novembro de 2026?
As terras raras apareceram no Enem do dia 8 de novembro de 2026 para ilustrar a ligação entre tecnologia, economia e geopolítica: o tema expõe que o Brasil detém estimativa de 21 milhões de toneladas em reservas, mas enfrenta desafio para transformar esse potencial mineral em produtos com maior valor agregado.
Quais elementos de terras raras estão dentro de um celular e o lítio é um deles?
Nos celulares, as terras raras mais presentes incluem neodímio e praseodímio em ímãs de alto‑falantes e atuadores, lantânio em vidros ópticos e európio, térbio e ítrio em materiais de exibição. O lítio, apesar de essencial para baterias, não pertence ao grupo das terras raras.
Samuel Vitor