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Caatinga: responsável por 38% das remoções de CO₂ no Brasil

Resumo

Um levantamento do Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), mostra que a Caatinga foi responsável por 38% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, retirando 410 milhões de toneladas de CO₂. O bioma superou a Mata Atlântica (320 milhões) e o Cerrado (240 milhões). Pesquisadores destacam o potencial para o mercado de carbono e a necessidade de metodologias adaptadas ao semiárido.

Caatinga: responsável por 38% das remoções de CO₂ no Brasil
Foto: Divulgação
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Caatinga — o semiárido brasileiro ganha protagonismo no mapa do carbono: dados de 2022 indicam que o bioma foi o principal sumidouro de CO₂ do país, respondendo por 38% das remoções nacionais e mostrando um papel climático mais relevante do que se imagina.

Por que a Caatinga aparece na dianteira das remoções

Em 2022, a Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, segundo o inventário utilizado pela pesquisa (Clima TRACE). Esse volume coloca o bioma à frente da Mata Atlântica, que removeu 320 milhões, e do Cerrado, com 240 milhões.

Parte da eficiência se explica pela dinâmica da vegetação: cerca de 60% do carbono absorvido pela Caatinga é transformado em biomassa (folhas, galhos, troncos e raízes), percentual superior ao observado na Amazônia, onde a respiração do ecossistema devolve mais carbono ao ar.

"Após meses de seca, poucos dias de chuva podem reativar a fotossíntese e fazer com que o bioma se torne um intenso sumidouro de CO₂, isto é, passe a retirar da atmosfera mais CO₂ do que libera. A ciência já reconhece que os ecossistemas semiáridos do mundo são responsáveis por boa parte da variação anual do ciclo global do carbono."

Potencial econômico e obstáculos para entrar no mercado de carbono

O reconhecimento do papel climático da Caatinga abre caminhos para participação no mercado de carbono, regulamentado no Brasil a partir de 2024. Pesquisadores do OCA veem oportunidade, mas alertam para limitações técnicas que ainda travam projetos na região.

O que você acha? Você esperava que a Caatinga respondesse por tanto na remoção de CO₂? Para acompanhar mais sobre políticas públicas e meio ambiente, acesse nossa editoria.

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Imagem: Univasf/arquivo

Perguntas Frequentes

Quanto a Caatinga retirou de CO₂ em 2022 e como isso se compara a outros biomas?

A Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera em 2022, o que equivale a cerca de 38% das remoções no Brasil, segundo o inventário Clima TRACE usado pelo Observatório da Caatinga (OCA) da UFCG. Esse total supera as remoções da Mata Atlântica (320 milhões) e do Cerrado (240 milhões).

Por que a Caatinga é eficiente na remoção de gases de efeito estufa?

A Caatinga transforma aproximadamente 60% do carbono absorvido em biomassa, segundo os pesquisadores do OCA, o que aumenta sua retenção de carbono. Além disso, episódios de chuva após longos períodos secos podem reativar fortemente a fotossíntese, convertendo rapidamente CO₂ em biomassa e tornando o bioma um sumidouro sazonal intenso.

Qual é o potencial da Caatinga no mercado de carbono e quais são as barreiras?

A participação da Caatinga no mercado de carbono tem potencial, especialmente após a regulamentação iniciada em 2024, mas enfrenta barreiras técnicas: a maioria das metodologias disponíveis foi criada para ambientes úmidos e não reflete a dinâmica do semiárido. É preciso desenvolver métricas e certificações adaptadas para viabilizar projetos e beneficiar comunidades locais.

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POR Leticia Rodrigues
Leticia Rodrigues

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