Caatinga — o semiárido brasileiro ganha protagonismo no mapa do carbono: dados de 2022 indicam que o bioma foi o principal sumidouro de CO₂ do país, respondendo por 38% das remoções nacionais e mostrando um papel climático mais relevante do que se imagina.
Por que a Caatinga aparece na dianteira das remoções
Em 2022, a Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, segundo o inventário utilizado pela pesquisa (Clima TRACE). Esse volume coloca o bioma à frente da Mata Atlântica, que removeu 320 milhões, e do Cerrado, com 240 milhões.
Sílvia Cunha Lima terá nova eleição após cassação mantida pelo TRE-PB
Leia a matéria completa →
<strong>Everton Aires</strong>: STJ mantém prisão e aponta risco de continuidade do esquema
Leia a matéria completa →
Pix: comprovante falso — confirme no extrato antes de liberar
Leia a matéria completa →
Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Parte da eficiência se explica pela dinâmica da vegetação: cerca de 60% do carbono absorvido pela Caatinga é transformado em biomassa (folhas, galhos, troncos e raízes), percentual superior ao observado na Amazônia, onde a respiração do ecossistema devolve mais carbono ao ar.
"Após meses de seca, poucos dias de chuva podem reativar a fotossíntese e fazer com que o bioma se torne um intenso sumidouro de CO₂, isto é, passe a retirar da atmosfera mais CO₂ do que libera. A ciência já reconhece que os ecossistemas semiáridos do mundo são responsáveis por boa parte da variação anual do ciclo global do carbono."
Potencial econômico e obstáculos para entrar no mercado de carbono
O reconhecimento do papel climático da Caatinga abre caminhos para participação no mercado de carbono, regulamentado no Brasil a partir de 2024. Pesquisadores do OCA veem oportunidade, mas alertam para limitações técnicas que ainda travam projetos na região.
O que você acha? Você esperava que a Caatinga respondesse por tanto na remoção de CO₂? Para acompanhar mais sobre políticas públicas e meio ambiente, acesse nossa editoria.
Foto: Divulgação
Imagem: Univasf/arquivo
Perguntas Frequentes
Quanto a Caatinga retirou de CO₂ em 2022 e como isso se compara a outros biomas?
A Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera em 2022, o que equivale a cerca de 38% das remoções no Brasil, segundo o inventário Clima TRACE usado pelo Observatório da Caatinga (OCA) da UFCG. Esse total supera as remoções da Mata Atlântica (320 milhões) e do Cerrado (240 milhões).
Por que a Caatinga é eficiente na remoção de gases de efeito estufa?
A Caatinga transforma aproximadamente 60% do carbono absorvido em biomassa, segundo os pesquisadores do OCA, o que aumenta sua retenção de carbono. Além disso, episódios de chuva após longos períodos secos podem reativar fortemente a fotossíntese, convertendo rapidamente CO₂ em biomassa e tornando o bioma um sumidouro sazonal intenso.
Qual é o potencial da Caatinga no mercado de carbono e quais são as barreiras?
A participação da Caatinga no mercado de carbono tem potencial, especialmente após a regulamentação iniciada em 2024, mas enfrenta barreiras técnicas: a maioria das metodologias disponíveis foi criada para ambientes úmidos e não reflete a dinâmica do semiárido. É preciso desenvolver métricas e certificações adaptadas para viabilizar projetos e beneficiar comunidades locais.
Leticia Rodrigues